31 maio 2010

Andebol: DIRECTIVO ULTRAS XXI - Sporting 27-26 MMTS Kwindzyn

Repressão: PSP ORDENA 'TOLERÂNCIA ZERO' - 4500 "Hooligans" fichados!



600 adeptos violentos proibidos de ir ao Mundial 2010

A PSP tem cerca de 4500 'hooligans''fichados', 600 deles violentos. Mas este ano nenhum foi interditado de entrar em estádios
As forças de segurança estão a vigiar cerca de 600 adeptos, classificados como "violentos", das claques dos principais clubes do futebol nacional. O objectivo é controlar se algum deles pretende embarcar para a África do Sul para assistir ao Campeonato Mundial. Se for detectada alguma movimentação nesse sentido, a PSP, através do Ponto Nacional de Informações de Futebol (PNIF), informa as autoridades sul-africanas sobre a iminência da sua chegada e são desencadeados meca- nismos de segurança, previamente acordados, para impedir a entrada naquele território.
De acordo com fonte do núcleo de informações de futebol da PSP, estes hooligans são os mais violentos entre um total de 4500 adeptos que são considerados de "risco". "Estes cerca de 600 adeptos estão integrados numa categoria, definida internacionalmente, que enquadra aqueles que "têm por hábito envolverem-se em comportamentos violentos contra adeptos de clubes rivais, sempre que têm oportunidade", explicou ao DN Rodrigo Cavaleiro, desta unidade da PSP.
Os restantes cerca de 3900 que a polícia tem "fichados", "não vão ao futebol com intenção de provocar a violência, mas, em algumas condições, em massa, instigados, alcoolizados, há fortes possibilidades de se tornarem violentos".
Estes números fazem parte de um relatório de balanço sobre a última época de futebol que a PSP, força de segurança que tem competência nas áreas dos maiores clubes, está a concluir. Segundo dados, ainda provisórios desse documento, houve um aumento do número de incidentes, que resultaram em processos crime e/ou autos de contra-ordenação, bem como das detenções efectuadas, que duplicaram (ver gráfico em baixo).
Apesar destas subidas, a polícia "desconhece que tivesse havido alguma sanção de interdição de entrada nos estádios" contra qualquer dos protagonistas dos incidentes, que estão identificados. De acordo com a nova lei contra a violência no futebol, de 2009, até os clubes podem aplicar esse castigo, além, claro, dos tribunais.
"A experiência que temos colhido noutros países é que, mais que pela repressão policial, uma atitude disciplinar dos clubes sobre os seus sócios produz melhores resultados, pois os adeptos respeitam o seu clube e não gostam que este os castigue", diz o subcomissário João Pestana, do PNIF.
Este oficial destaca, no entanto, que "o grau de violência dos incidentes desta época não foi, de forma alguma, com um nível de gravidade como já aconteceu em anos anteriores".
 

PSP ordena 'tolerância zero'

As ordens são muito claras e já são do conhecimento dos comandos da PSP, nas áreas com estádios que recebem jogos do campeonato de futebol. "Vamos usar todos os procedimentos legais que estiverem ao nosso alcance para dar um sinal claro que acabou a impunidade. Qualquer incidente, mais ou menos violento, enquadrado como crime ou contra-ordenação, terá o respectivo processo", assegurou ao DN um alto responsável desta polícia. "Os clubes já foram informados que vigorará a 'tolerância zero' logo a partir do jogo 1 da próxima época", acrescentou esta fonte.
Aplicar as medidas legais é um dos dois eixos estratégicos que a PSP definiu. Outro é a "sensibilização dos magistrados no sentido de estes utilizarem mais frequentemente a sanção acessória de interdição de entrar nos estádios, em todos os casos que a lei permita".
As orientações da PSP já começaram a ser "testadas" na última época de futebol, que terminou há duas semanas. Os resultados estão à vista: duplicou o número de detenções, de acordo com números ainda provisórios, que podem ainda aumentar depois de introduzidos os processos das últimas jornadas, que ainda não foram finalizados. "Duplicaram as detenções este ano e daqui para a frente ainda vão subir mais. É inadmissível o que se tem passado", disse ao DN fonte policial.
A PSP pretende também com esta "marcação cerrada", principalmente às claques, que estas deixem de ser cobertura para crimes mais graves, como aconteceu com os No Name Boys. Esta semana, vários membros desta claque foram condenados, num processo dirigido pela PSP - a "Operação Fair Play" - por crimes como posse de armas ou o tráfico de droga.
Esta época de futebol foi o "ano teste" da nova lei que estabelece o regime jurídico "do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos" e por isso, na opinião do subcomissário Pestana, especialista da PSP nesta matéria, "ainda é cedo para se fazer balanços". No entanto, este oficial considera que "têm sido dado passos legislativos importantes, como, por exemplo, o de atribuir aos clubes uma maior responsabilidade em matéria de segurança". 


Fonte: DN