09 novembro 2009

Tribunal: SUPER DRAGÕES EM JULGAMENTO - Venda de bilhetes, resistência e coacção [1]

Super Dragões julgados por travar à força detenção

Fernando Madureira entre os acusados de incidente que começou com venda de bilhetes



Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, e outros dois membros da claque começaram, a ser julgados por alegadamente terem impedido à força agentes da PSP de deter um vendedor de bilhetes.

O caso ocorreu em 12 de Outubro de 2005, junto ao Estádio do Dragão, no Porto, quando elementos da PSP abordaram dois indivíduos (Adriano S., agora com 80 anos, e Bruno M., de 28, também arguidos no processo) por suspeitas de que se dedicavam à venda ilícita de bilhetes para o jogo F. C. Porto-Benfica, a realizar-se quatro dias depois. Os ingressos tinham marcado o preço de 20 euros, mas seriam vendidos por 50 euros.

Enquanto o mais velho estava na posse de seis bilhetes e de 260 euros em dinheiro, o jovem tinha 16 bilhetes e 670 euros. Os polícias informaram-nos, então, de que teriam de ser transportados à esquadra para identificação.

Foi na altura em que Adriano já estava dentro de um carro da PSP que surgiram Fernando Madureira, Hélder M. e António O., acompanhados, segundo a acusação, por mais de 20 indivíduos da claque portista. O objectivo: "soltarem" o arguido e "impedir a actuação dos agentes". O grupo, cujos restantes elementos não foi possível identificar, terá rodeado, empurrado e agarrado os polícias, além de desferir murros e palmadas na viatura policial. Adriano S. acabaria por conseguir sair do carro e evitar ser levado para a esquadra. Os três acusados, sustenta o Ministério Público, ainda terão dito aos polícias: "Isto não fica assim, vou f...-vos e, vou fazer-vos a folha". Estão a ser julgados por resistência e coacção.

Já, prestaram depoimento Adriano e Bruno - julgados pelo crime de especulação - que negaram dedicar-se ao comércio ilegal de bilhetes. O primeiro alegou ser vendedor de "revistas e bonecos", entre outros adereços do F. C. Porto, e que, na altura, só tinha "dois bilhetes", que o arguido Bruno lhe teria entregue para ele "despachar". Quanto aos distúrbios, disse que apenas se apercebeu de um "burburinho", sem nada ter visto. Já Bruno justificou a posse dos 16 bilhetes por ser chefe de núcleo dos Super Dragões e referiu que "ofereceu" a Adriano dois ingressos "que tinha a mais", para um jogo da selecção a decorrer nesse dia, no Dragão.


“Uma história bem surreal”. Foi desta forma que Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, qualificou, no Tribunal do Bolhão, no Porto, a acusação de que é alvo. Segundo o MP, Madureira – conhecido por ‘Macaco’ – e mais dois membros da claque do FC Porto impediram, à força, agentes da PSP de terem detido Adriano, de 80 anos, por suspeita de venda ilícita de bilhetes para um encontro entre dragões e o Benfica.


Tudo aconteceu a 12 de Outubro de 2005, antes de um jogo entre Portugal e Estónia, no Estádio do Dragão. De acordo com a acusação, Bruno, de 28 anos, e Adriano, foram apanhados por agentes da PSP à paisana a venderem os ingressos para o clássico a 50 euros, quando o preço marcado era de 20. Adriano já se encontraria na carrinha para ser levado para a esquadra quando Fernando Madureira, Hélder Mota e António, acompanhados por mais 20 adeptos, empurraram e insultaram os agentes, permitindo a fuga do octagenário.

“Vi um burburinho e aproximei-me, com mais uma ou duas pessoas. Perguntei a um agente se era necessária aquela intervenção. Ouvi insultos e vi sapatadas na carrinha da polícia, mas não molestei nem ameacei ninguém. Depois a carrinha arrancou”, garantiu ‘Macaco’, que se deslocou depois dos incidentes à esquadra da PSP, onde encontrou Bruno – então chefe do núcleo dos Super Dragões do Cerco do Porto – e “mais cinco lisboetas”. “Aí chegou o senhor Adriano, a chorar e a dizer que ficou sem os 51 contos que eram para pagar as suas contas. Pedi à PSP para devolver o dinheiro ao homem que passa dificuldades, mas não deram”, continuou o líder dos ‘Super’.

Bruno e Adriano – figura conhecida dos adeptos portistas por, já há décadas, vender doces e revistas junto ao estádios das Antas e do Dragão ou até mesmo do Campo da Constituição – são acusados de especulação, enquanto Madureira, Hélder Mota e António são arguidos por resistência e coacção.





Fonte: CM/JN

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